Há alguns anos observamos o crescimento exponencial do ensino chamado de “online”, “à distância” ou apenas “EAD”. Já há algumas décadas temos esse modelo de ensino, fosse por correspondência, em programas nas emissoras de TV aberta ou por fitas de videocassete. As aulas eram transmitidas e os diversos assuntos compartilhados pelos ávidos estudantes que, por algum motivo, não podiam frequentar o ensino regular presencial.
Contudo, de forma mais geral, o ensino online, se utilizando de novas tecnologias e do avanço do mundo digital, se aprimorou e se tornou um modelo mais robusto de aprendizagem. Esse formato de ensino possui bastante aderência, principalmente na camada produtiva da sociedade, que trabalha em horário comercial, devido aos seus diversos benefícios e vantagens, entre eles a flexibilidade de tempo e espaço, a economia de dinheiro, além de ser bem mais dinâmico, inovador e interativo.
A EAD apresenta recursos que levam o aluno a aprender de uma forma diferente. Isso vem desenhando a necessidade do estudante se tornar mais independente, com mais poder de autogestão, visto que ele é protagonista do seu próprio aprendizado, agora muito mais respaldado pelo uso da tecnologia.
A tecnologia transpôs a barreira das paredes das nossas casas, escritórios e escolas, se tornando cada vez mais portátil e móvel, saindo de nossos desktops e notebooks e indo parar na palma de nossas mãos, em nossos bolsos, ouvidos e até em nossos óculos. Junto com esse movimento foram as plataformas digitais, que se obrigaram a tornar-se cada vez mais responsivas. E com a educação não foi diferente.
A possibilidade do aprendizado extrapolou as telas do nosso computador e foi parar em tablets e celulares, se apresentando nos mais diversos formatos, de softwares interativos a podcasts e videoaulas que podem ser acessadas de qualquer lugar, a qualquer momento, isso sem falar de aulas ao vivo através das mais diversas plataformas.
A EAD, tendo a tecnologia como principal canal de acesso e disseminação, expandiu, com qualidade, a capacidade das pessoas de receberem e absorverem conhecimento através de todo o sortimento de alternativas que o mercado oferece, permitindo a flexibilização e adaptação do aprendizado à rotina do estudante, que muitas vezes é intensa, principalmente se considerarmos o ensino para adultos.
A educação online ganhou ainda mais visibilidade nas últimas semanas devido à pandemia do Covid-19. A quarentena compulsória está forçando as instituições a se voltarem para esse modelo de ensino que, mesmo com todo o espaço que adquiriu no mercado nos últimos anos, continuava sendo um formato que se encontrava concentrado no segmento universitário ou profissionalizando e ainda sofria bastante rejeição nos segmentos de educação básica.
A real proibição do ensino dentro da sala de aula está fazendo escolas e educadores terem que pensar fora da caixa, e propor canais de informação que precisam ser muito didáticos, completos, ágeis, modernos, atrativos, intuitivos e, acima de tudo, inovadores. Em nenhum outro momento da História contemporânea houve um movimento e uma dedicação tão grande – mesmo que por um motivo ruim – das instituições em elaborar projetos, sistemas, plataformas e canais de educação voltados para o ensino à distância, logicamente utilizando toda a tecnologia disponível no mundo para esse fim.
O que ficará após esses tempos turbulentos de Covid-19 – e temos fé que será em breve – será o legado de todo esse engajamento, todos os mecanismos, planejamentos, alternativas e recursos que estão sendo desenvolvidos nesse momento de adequação à realidade que nos foi imposta para que o conhecimento não deixe de chegar aos alunos.
Sem dúvida esse legado levará o ensino à distância a um novo patamar depois que tudo voltar ao normal e a aprendizagem retornar para dentro das salas de aula. Talvez seja a oportunidade que as instituições, pais, mestres e lideranças educacionais estão tendo de perceber que retirar as paredes às vezes expande o potencial do ser humano e, por conseguinte, sua capacidade de receber, absorver e reter conhecimento.
Talvez seja a hora da educação a distância realmente ganhar o seu lugar no mercado educacional, nas escolas e nas casas dos estudantes, de ser entendida como um canal de aprendizagem eficiente, como uma ferramenta de flexibilização, adequação e de grande interação que pode agregar muito valor ao processo de aprendizagem do estudante do século 21.